Montadoras: GM fecha acordo para investir na planda de São José dos Campos
Após 45 dias de indefinição, foi garantida a vinda de investimento de US$ 500 milhões para produção de novo veículo e criação de 600 empregos na fábrica da General Motors no Vale do Paraíba
Trabalhadores da General Motors de São José dos Campos (SP) aprovaram ontem, em assembléia, proposta que prevê a redução dos salários para novas contratações e trabalho extra, incluindo os fins de semana. Com isso, garantiram investimentos de US$ 500 milhões para a produção de um novo veículo, além da criação de um segundo turno na linha do Corsa.
A direção da GM ameaçava construir uma fábrica em outra cidade brasileira para produzir o novo carro, caso não chegasse a um entendimento com os funcionários. Alegava que a unidade não seria competitiva para abrigar o projeto. A fábrica de São José produz os modelos Corsa, Meriva, Zafira e S10.
A assembléia reuniu cerca de 7 mil trabalhadores, de um total de 9 mil. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a proposta foi aprovada por unanimidade.
Para o novo turno, serão contratados nos próximos meses 600 funcionários temporários (contrato de um ano prorrogável por mais um). Quando começar a produção do novo veículo, no fim de 2010, o total de novas vagas pode chegar a 1,5 mil.
Pelo acordo, novos funcionários começam com salários de R$ 1.207, ante os R$ 1,7 mil pagos anteriormente. Em vez de criar um banco de horas, conforme a GM queria inicialmente, foi acertada a flexibilização da jornada de trabalho. Significa que os funcionários aceitam trabalhar uma hora a mais por dia e em dois sábados por mês com pagamento de horas extras.
O vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, presente à assembléia, não deu detalhes do novo carro - que poderá ter várias versões - , mas disse que será um veículo de médio a grande porte, que será desenvolvido no Brasil e produzido também na fábrica do grupo na Tailândia. "Certamente será um modelo para exportação."
Parte dos US$ 500 milhões serão aplicados também no centro de desenvolvimento instalado em São Caetano do Sul (SP). A verba foi liberada pela matriz e faz parte de um programa de US$ 1 bilhão reivindicado pela filial brasileira há dois anos. Metade já havia sido aprovada no ano passado.
POLÊMICA
A aprovação do projeto gerou polêmica na cidade. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José, ligado à central Conlutas, considerada radical, recusou em janeiro a proposta de criação de um novo turno na linha do Corsa, que geraria 600 vagas, por não aceitar o banco de horas e uma nova grade salarial proposta pela empresa. A GM, então, ampliou a produção do modelo em São Caetano, que ficou com as novas vagas.
Com o risco de perder o novo projeto por resistência do sindicato, empresários, políticos e até o bispo local, em conjunto com funcionários contrários às lideranças sindicais, fizeram campanha para que a cidade ficasse com o investimento. O sindicato conseguiu trocar o banco de horas pela flexibilização da jornada e a nova "grade salarial" por "piso inicial" o que, na prática, não impediu o corte de salários para os iniciantes.
ACORDO
Investimento: A GM condicionava a aplicação de US$ 500 milhões na fábrica à criação de um banco de horas e a uma nova grade, com salários mais baixos. Ameaçava abrir uma unidade em outro local.
20/6/2008
