GM adota terceiro turno em São Caetano do Sul
SÃO PAULO, 20 de fevereiro de 2008 - A General Motors do Brasil anunciou ontem a abertura do terceiro turno na fábrica d
SÃO PAULO, 20 de fevereiro de 2008 - A General Motors do Brasil anunciou ontem a abertura do terceiro turno na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista. É a primeira vez na história que a montadora utiliza três expedientes para produzir veículos nesta unidade. "A decisão é para atender o alto consumo do mercado automotivo", disse José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors do Brasil. Com o terceiro turno a GM pretende acrescentar 50 mil carros por ano na fábrica de São Caetano, principalmente do modelo Corsa - em 2007 produziu 190 mil carros nesta unidade. Para isso, vai contratar 600 empregados temporariamente. "As contratações começam em março por prazo determinado de um ano, mas o contrato pode ser renovado se o mercado continuar aquecido", disse Pinheiro Neto. Os novos funcionários começam a trabalhar no período noturno no primeiro semestre. A preferência da GM será pelos empregados indicados pelos funcionários da fábrica de São Caetano. O salário começa com R$ 1.207,00 e vai até R$ 1.910,00. "A perspectiva do sindicato é que esses empregados sejam efetivados", comentou Cícero Marques da Costa, terceiro secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano. Pinheiro Neto não revelou o valor, mas admite que serão necessário investimentos para acrescentar mais veículos na linha de montagem de São Caetano. Só para incluir o novo Vectra na linha de produção, foram aplicados investimentos de R$ 500 milhões. Além deste valor, a unidade de São Caetano também recebeu um aporte de US$ 100 milhões para construção de um novo prédio, que abriga hoje o Centro de Tecnologia. Este valor faz parte de um total de US$ 500 milhões que o presidente mundial, Rick Wagoner, anunciou em julho de 2007, para as unidades da GM do Mercosul - US$ 400 milhões serão divididos entre o Brasil e a Argentina, para a produção de nova família de veículos compactos que serão lançados no mercado brasileiro até 2010. A decisão inicial da General Motors era de implantar o terceiro turno na fábrica de São José dos Campos (SP). Mas a proposta foi rejeitada pelo Sindicato dos Metalúrgicos em razão de as contratações serem temporárias. "Aqui aceitamos na hora, pois num País onde o desemprego ainda é elevado, não podemos abrir mão da oportunidade", disse Cícero Marques da Costa, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano. "Várias entidades de São José dos Campos pediram para a GM rever a posição, mas a empresa não podia porque estava em negociação com outra cidade, a de São Caetano", disse Pinheiro Neto, destacando que a unidade de São José não está excluída de novos projetos da empresa no Brasil. A unidade de São Caetano, que iniciou sua produção em 1º de outubro de 1928 - a inauguração oficial foi em 12 de agosto de 1930 - é uma das mais flexíveis e versáteis da corporação no mundo. Nesta fábrica são produzidos na mesma linha os modelos Classic (sedã), Corsa (hatchback e sedã), Astra (hatchback e sedã), Vectra GT (hatchbach), Vectra Sedã, além da picape Montana. Programa de expansão: Entre as quatro maiores montadoras do Brasil, a Fiat Automóveis foi a primeira a ampliar turno de produção na sua fábrica de Betim (MG) para atender a grande demanda do mercado automotivo. Para elevar rapidamente a produção de automóveis na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), a Volkswagen também teve que abrir o terceiro turno e contou com a experiência de 375 ex-funcionários aposentados da própria empresa. As contratações também foram definidas com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC por prazo determinado de dez meses e o salário inicial é de R$ 1.030 para a função de operador. A idade média dos aposentados na área metalúrgica varia de 40 a 45 anos. A escolha desses profissionais pela Volkswagen se deu em função do seu conhecimento e da qualidade do trabalho nas áreas de produção. Até o final de 2008 a Volks previa demitir 4,2 mil funcionários - 3,5 mil em São Bernardo do Campo (SP) e 700 em Taubaté, interior paulista esse plano foi suspenso. (Sonia Moraes - Gazeta Mercantil)
MARIA SILVANEDE RAMOS DA SILVA
01/07/2008